Coleciono CDs desde 2001.
De lá para cá, vi uma enormidade de lojas bacanas fecharem
as portas aqui no Rio.
Por mais que a internet possibilite conhecer de um tudo sem
que você precise sair de casa, IR até a loja, bater papo, conhecer gente de
carne e osso... É um lance orgânico.
O mesmo apego que tenho à música em formato físico tenho à
experiência física de frequentar lojas de CDs.
Toda ida ao dentista rendia idas, às vezes breves, mas quase
sempre demoradas, à Musicale, na Galeria Marapuama, na Tijuca.
A loja cheirava ao perfume da dona, que já era uma
senhorinha, e os CDs meio que ficavam com esse cheiro.
Anos depois, encontrei essa senhorinha atrás do balcão de um
pé-sujo no Centro do Rio.
Não existe cerveja em mp3, pensei.
Ao lado da Musicale, ficava a Il Camerino, comandada por um
coroa que falava alto e ouvia mal.
A variedade era pouca, mas os preços compensavam.
Se na Musicale era R$ 20,00, o "seu" Camerino
fazia por R$ 10,00.
Em seguida, subia a R. General Roca, atravessava a Praça
Saens Peña até o Shopping 45 e tomava a escada rolante até a Boogie Oogie, um
paraíso perdido precedido por lojas de roupas de bebê, joias folheadas e roupas
de vó.
A Oogie era a mais cara das três, mas possuía uma seçãozinha
só de CDs de hard rock, onde consegui muita coisa boa.
Uma negociação no MercadoLivre me colocou novamente em
contato com o antigo dono que não escondeu a emoção quando disse que lembrava
com saudade da loja: "foi uma bela fase da minha vida. Sou grato a você e
a tantos outros que me permitiram viver meu sonho de ter uma loja.”.
A última parada era sempre no segundo andar do Vitrine da
Tijuca, onde Darklands, Headbanger e Scheherazade resistem no que é chamado de
Galeria do Rock do Rio.
Havia ainda a Som & Tom no Shopping Tijuca, onde meu
então melhor amigo, que faz aniversário quatro dias depois de mim, e eu
costumávamos ir para comprar os presentes um do outro.
Na troca de CDs mais marcante de minha vida, dei um The
Number of the Beast e recebi em troca um Stiff Upper Lip.
A amizade foi para as cucuias, mas o CD segue na prateleira.
O bom e o ruim das lembranças é que, como a música, são para
sempre.





