Em 1995, ganhei um boneco do Darth Vader de presente de
Natal. Eu, até então acostumado aos Batmans e Supermans — e até mesmo aos
He-Mans herdados dos primos mais velhos, já com defeito e peças faltantes —,
nunca tinha visto nada igual. Ele era todo preto, com pintura tanto fosca
quanto brilhante para distinguir as partes rígidas e de tecido do traje, e
tinha uma capa removível. Além disso, carregava uma arma comprida e vermelha-transparente
que contrastava com a total escuridão de sua indumentária. Tal escuridão, eu
descobriria mais tarde, tinha um propósito.
Assisti à trilogia clássica de Star Wars em 1999, às
vésperas da estreia de Episódio I: A Ameaça Fantasma, por influência dos mesmos
primos dos bonecos do He-Man. Eu era o caçula da situação, mas, sem dúvida, o
mais atento aos efeitos especiais que faziam os tokusatsus, aqueles seriados
japoneses que passavam na TV Manchete — que, aliás, havia acabado de fechar as
portas —, parecerem mero refugo. Logo no comecinho do primeiro filme, o tal
Darth Vader dá as caras, com um jeitão sinistro e uma fala assombrosa; sua
implacabilidade, o respeito que impunha, a escuridão que evocava e
representava.
Ao sucesso de A Ameaça Fantasma, toda uma vasta gama de
produtos com a marca Star Wars tomou de assalto o mercado. Eu, prestes a
completar 10 anos, me lembro da avalanche de bonecos, quebra-cabeças,
videogames — nenhum jogo de corrida superou Star Wars: Episode I Racer até hoje
—, roupas de cama, moda praia, papelaria e itens sortidos que nem na galáxia
mais distante se cogitaria lançar. Eu tinha minha papete do Darth Vader, e ao
velho boneco que, àquela altura, já havia perdido capa e sabre de luz,
juntaram-se muitos outros. Fosse no chão do quarto, fosse na praia, os combates
promovidos eram sempre a maior diversão; obviamente, com Vader sempre
sagrando-se campeão.
De lá para cá, passaram-se quase quinze anos. Nesse ínterim,
a paixão por Star Wars perdeu um pouco de terreno para outras coisas, como a
música, a leitura e a escrita. Mas, lá no fundo do coração, permanecem
imaculadas as lembranças daquela época em que viver no mundo da lua era
sinônimo de uma inocente felicidade sem restrições.
No começo de 2015, minha primeira tarefa como editor
assistente na editora em que trabalho foi justamente editar um livro sobre Star
Wars. O livro, enorme e todo colorido, traz fotos e curiosidade dos quase 2.500
bonecos de Star Wars lançados desde os anos 1970 até os dias de hoje. A cada
página virada, um pouquinho mais de inveja do autor e dono de um dos maiores
acervos de memorabilia de Star Wars do mundo.
Eis que na página 132 me deparo com ele, o mesmo boneco do
Darth Vader que eu havia ganhado no Natal de 1995. Era exatamente o mesmo, com
a capa e o sabre de luz vermelho-transparente. Não pude evitar o sorriso e a
nostalgia. E, diante da proximidade do lançamento de O Despertar da Força, com
a volta de tantos outros personagens tão fundamentais à minha infância, retirei
Star Wars do baú de recordações e o coloquei na estante das prioridades.
Com 28 anos na cara, posso dizer que entendo
perfeitamente quem vive em função dos embates estelares iniciados por George
Lucas e continuados e expandidos por uma interminável lista de admiradores e
entusiastas. Tudo que exerce fascínio desperta paixão, e Star Wars está aí para
provar que há muito mais na vida do que somente o lado negro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário