quinta-feira, 15 de outubro de 2015
A vida é uma iscola
Em "Um trem para as estrelas", Cazuza e Gilberto Gil prometem o desprezo a quem os ensinou que a tristeza é uma maneira da gente se salvar depois.
Devo discordar da dupla; qualquer um que um dia tenha me ensinado o que quer que seja jamais terá o meu desprezo.
Pode ser que a vida se encarregue de desviar nossos caminhos, levando-nos a direções opostas.
Pode ser que o céu solicite a presença de um de nós antes da hora, assim, súbita e repentinamente.
Ou que, por sorte ou azar — só o tempo dirá —, nunca mais sequer saibamos um por onde anda o outro.
Tem sido assim durante toda a vida.
Todo mundo, a todo instante, me ensina algo.
Todo mundo é professor na essência.
O menor bate-papo é uma aula.
Hoje o taxista me ensinou como se dá a cicatrização dos ligamentos do tornozelo.
Nem sempre as palavras são necessárias.
Uma situação pode nos ensinar algo — destino e acaso, dois professores.
O mendigo agarrado ao crucifixo ensina que é preciso ter fé — ainda que a fé não nos tenha com ela.
Lágrimas são indicativos de que há sempre o que aprender.
O choro de quem tirou zero na prova da existência.
Aluno de mim, professor que sou, procuro ensinar-me o que finjo saber.
Mesmo professores estão sujeitos ao ato falho.
As aulas de reforço vêm na forma de madrugadas em claro.
Estou estudando enquanto escolho com o quê irei torturar o meu fígado nesta noite.
Quando alcoolizado, sou PhD. em toda e qualquer ciência.
Sóbrio, me deflagro de castigo sem recreio.
A você que me ensinou que a tristeza é uma maneira da gente se salvar depois, o meu muito obrigado. Não darei o meu desprezo.
Mas que a vida se encarregue de desviar nossos caminhos.
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