quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Ouvir com o coração


Escritora amiga minha desabafou no Facebook:
“Meu terceiro livro se chamará ‘Homens’. Terá apenas uma página com uma frase escrita: ‘Homens não conseguem se manifestar emocionalmente. ’ Fim.”
Entendo a revolta.
No entanto, verdade seja dita: manifestar-se emocionalmente pode não ser nada fácil.
Digo isso por que:
1) Às vezes o medo toma conta e castra o ímpeto de fazer-se ouvir em alto e bom som.
2) Às vezes pensa-se muito, com receio de que o discurso surta menos efeito que o silêncio.
3) Às vezes é tentador e necessário flertar com a morte por asfixia pelas coisas não ditas.
4) Às vezes o amor é tanto que não há palavras — na maioria das vezes é isso, se me permite a opinião.
Não reclame a falta de um “eu te amo” em altos brados.
Não confunda o meu silêncio com descaso.
Não confunda a minha individualidade com tendência à solidão.
O amor não conhece a sua própria profundidade até a hora da separação, diz o profeta do livro de Khalil Gibran.
Portanto, poupe-se das palavras que levariam à separação.
A quem ama, basta o ouvido do coração.

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