Alivio o peso do peito transferindo-o para o papel.
É na escrita que a alma respira.
A insustentável leveza de por para fora.
A inevitável certeza de que o escrito perdura.
Por meio das palavras promovo o encontro cabeça e coração feito torcidas rivais numa rua do subúrbio.
Não há o que fazer, para onde correr.
Não há abrigo ou esperança.
Ou salvação.
Resta aguardar o sol derreter a neve, o vento soprar a poeira pra longe.
Rasgar a página é ato meramente simbólico.
À memória não fogem as passagens mais marcantes da leitura.
Enquanto autores e editores de nossa própria vida, nos cabe a tarefa de tornar nosso livro pessoal o mais legítimo possível.
Permitir a dor e o sofrimento é humanidade.
Prolongá-lo por mais páginas que o necessário é falta de tato.
A gramática dos sentimentos não se aprende na escola.
Nossa tendência é a eterna reprovação, como o Sísifo e sua pedra que rola montanha abaixo.
O amor não tem gabarito.
Se amar é fracassar, que eu fracasse melhor.

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