sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Coração enquanto lar
Meu coração
Casa humilde de poucos cômodos há tempos inabitados
Caindo aos pedaços como barraco pós-enxente
Mobília gasta do passar do tempo
Piso sem brilho, marcas de uso, abandono
As camas por fazer
As roupas por passar
O cachorro morreu, coleira na boca, esperando a dona
Os gatos fugiram de fome
No aquário, peixes putrefatos boiam
No jardim, pera, não tem jardim
Todo o álcool que ingeri pensando em ti armazenado na geladeira
O coração-lar paga o preço dos excessos
O pouco sangue que agita as paredes é triste e turvo
Panelas com sobras feito banquete para as moscas e outros seres escrotos
Os pratos de nossa última refeição juntos empilhados na pia sem água ou higiene
O chuveiro onde nos amamos, onde nos amávamos, pinga solitário feito o choro ao qual penso em me render todas as noites em que o seu rosto, o seu beijo, o seu tudo vêm ao pensamento
Se eu chorasse, estaria chorando agora
Micro-organismo facilmente amável
Passado dificilmente esquecido
Mas não volte
Não se importe
Já engoli a chave
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