segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Noite feliz


Padrões de luzes e cores pelo chão.
Estranhos manequins fugindo do luto diário, movidos por música e álcool.
Bocas abertas, olhos fechados, acende-se um cigarro.
Apaga essa porra, diz o segurança, feito capitão-do-mato ao encontrar um escravo fugitivo.
O ritual se repete, reinicia-se a cada cinco minutos ou menos. 
Lá pelas tantas, como lâmpada prestes a queimar, o corpo começa a ceder.
O luto diário se manifesta.
Todas as noites mal-dormidas de segunda a sexta emitem nota e exigem pagamento.
O espírito quer mais do que a matéria permite: abraçar o mundo com braços e pernas até o nascer do dia.
As pernas vacilam, os pés doem, o teto gira.
É sono, fome, tragédia.
Num canto, um beijo feliz. 
No outro, o sorriso conformado do vice.
Lágrimas anônimas de fim de festa.
Todo renegado é indigente.

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