Colocando na ponta do lápis, ficamos entre quatro e cinco
anos juntos, sempre indo e voltando.
Parecia que ficávamos separados apenas para reunir o mana
necessário para uma nova tentativa.
Quando não houve mais terrenos a virar nem cartas comprar,
declarou-se o empate com sabor de derrota para ambos.
Enfim...
De 2011 até hoje, foram cinco aniversários dela que eu perdi.
É engraçado apesar de não ser: nunca chegamos a comemorar um
aniversário dela juntos.
Sempre algo acontecia ou deixava de acontecer.
Houve um ano em que eu, completamente bêbado, esmurrei a
cara de dois na frente dela numa festa. Não é algo de que eu me orgulhe, mas, à
luz — ou falta de luz — do momento, foi ato necessário.
Ela desceu as escadas correndo, as amigas logo atrás. Nossa
viagem no dia seguinte, apesar de paga, fora cancelada. Nosso futuro,
aparentemente belo e irretocável, fora suspenso.
Dei tempo ao tempo e a ela. Tempo que coincidiu com o
aniversário dela. O orkut não permitiu que eu esquecesse.
Saí mais cedo do trabalho, caminhei até floricultura na Rua do Rosário,
comprei um cesto de rosas azuis — que me custou quase 1/4 da bolsa do estágio —, mandei entregar na casa dela. Consegui quebrar
o gelo, mas nosso encontro de fato teve de esperar até o dia seguinte à
comemoração.
Já em outro ano, passei o dia na cama, com ódio das
circunstâncias que nos levaram a uma nova separação. Adormeci de Jack Daniel’s,
embalado pela coletânea de baladas do Whitesnake.
Aí houve a vez em que eu resolvi que não a amava mais tão
somente para descobrir, após um namorico frustrado com um trimestre de duração,
o quanto ainda a amava e desejava que a coisa toda desse certo. Talvez fosse só
saudade, ou só desejo. “O homem é um ser muito plástico”, já dizia o meu pai.
Os capítulos seguintes mostraram que o que quer que tenha me
levado a tentar pela 15923846ª vez era qualquer coisa, menos amor.
Mas a essa conclusão a gente só chega quando redescobre o
amor em outra pessoa.
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