quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Sim, te perdôo


A vida nos ensina que o perdão não é mágica.
Pedir perdão não é um abracadabra ou um abre-te sésamo.
O perdão não vem a partir de um comando.
O perdão não é algo que se programe; não é uma linha de código ou uma resposta automática de e-mail.
Você não pode prever o perdão.
Perdão também não é uma obrigação.
Você não pode contar com o perdão como um álibi tardio.
Não espere que aliviem a sua barra sempre que você fizer uma merda; pensar nas consequências dos atos faz parte do desafio diário que é a vida.
Perdão também não é um prêmio.
Equivale ao sentimento de ver um filho sair da cadeia após um período de reclusão; é alívio mesclado a vergonha.
Perdoar não equivale a dar uma segunda chance.
Todo mundo tem seus limites.
Os créditos do celular podem ser estourados em uma ou dez ligações.
Pedir perdão não torna você superior, mas se há um Deus lá em cima, talvez conte pontos e vantagens para a hora da partida.
Não estou dizendo que quem admite o erro conquista o lugar na janela do avião para o além.
Mas, sem dúvida, não tem de pagar multa por excesso de bagagem.
Perdoar também tira o peso dos ombros, ainda que não apague a mancha da desconfiança.
Perdoar não é amar o outro, mas amar a si.
Perdoar é acreditar que só a morte é irreversível.
Pedir perdão é só um primeiro passo.

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