segunda-feira, 6 de abril de 2015

Macarrões coloridos


eu nunca tinha visto aquilo.
macarrões coloridos, que pareciam de mentira!
uns verdes, outros laranjas, outros, em menor proporção, na cor natural da massa.
não sei o porquê daquilo — pode ser apenas o corante —, mas fiquei de boca aberta e com água na boca.
fiquei tentado a experimentar mesmo cru (sei lá se o gosto é diferente!)
na panela, imersos n'água, eles brilhavam; eram insígnias alimentícias.
um fio de azeite torna-se auréola sobre o que pareciam os cachos de um anjo punk rock.
um pouco da cor se perde conforme a fervura — assim como o cabelo tingido desbota a cada lavagem.
me aproximo do fogão para ver e ouvir o borbulhar.
o cheiro da massa cozida dá match com o estômago que ronca mais de ansiedade que de fome.
— prefere al dente?
sua voz me faz sair do transe.
sorrio. você sorri de volta. acho que não entendeu o que estava acontecendo.
sinto-me relaxado, descansado e bem. 
e salvo.
o almoço finalmente está servido. 
— deixa que eu pego o suco na geladeira — diz você, a minha mulher, o meu amor.

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