eu nunca tinha visto aquilo.
macarrões coloridos, que pareciam de mentira!
uns verdes, outros laranjas, outros, em menor proporção, na cor natural da massa.
não sei o porquê daquilo — pode ser apenas o corante —, mas fiquei de boca aberta e com água na boca.
fiquei tentado a experimentar mesmo cru (sei lá se o gosto é diferente!)
na panela, imersos n'água, eles brilhavam; eram insígnias alimentícias.
um fio de azeite torna-se auréola sobre o que pareciam os cachos de um anjo punk rock.
um pouco da cor se perde conforme a fervura — assim como o cabelo tingido desbota a cada lavagem.
me aproximo do fogão para ver e ouvir o borbulhar.
o cheiro da massa cozida dá match com o estômago que ronca mais de ansiedade que de fome.
— prefere al dente?
sua voz me faz sair do transe.
sorrio. você sorri de volta. acho que não entendeu o que estava acontecendo.
sinto-me relaxado, descansado e bem.
e salvo.
o almoço finalmente está servido.
— deixa que eu pego o suco na geladeira — diz você, a minha mulher, o meu amor.

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