quinta-feira, 16 de abril de 2015

Poesias #2


Metáfora do homo canis

O homem imita o cão
A nível de gato persegue o rabo
Persegue o rato, homem canino!


Sálvia e saúva

O que há de melhor, milagreiro
Que a sálvia de variados aspectos
Feito cálice bilabiado aberto
Larga, achatada e estéril

O que dizer então da saúva
Carregadeira, operária, cabeçuda
Eu sou o teu macho, sabitu!
Tu és minha fêmea, tanajura!


Amor na noite

Uma bela moça
Um belo exemplar
Que de noite o coveiro
Vai namorar
A pá fica a postos
Para desenterrar
O corpo da virgem
Que está a repousar
Seus olhos fechados
Não páram de inchar
A boca que é roxa
Num eterno beijar

Um passeio além da cova
Nos braços do coveiro
Paixão fria e mórbida
No cemitério
Com cuidado ele a despe
Com carinho ele a gira
Prum lado e pro outro
Como se estivesse viva
Então oscula funesto
Um casal ao luar
Ele, um louco
Ela, defunta

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